Etiologia/Diagnóstico das palpitações

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Etiologia/Diagnóstico das palpitações

Mensagem  Thiago Andrade em Qua Fev 13, 2013 7:05 pm

DEFINIÇÃO - Palpitações são um sintoma sensorial. São definidas como a sensação desagradável e consciente de batidas fortes, rápidas ou irregulares do coração. Os pacientes podem, por vezes, descreverem a sensação como uma rápida vibração no peito, sensação de batedeira no peito ou pescoço, e essas descrições podem ajudar a elucidar a causa das palpitações.

ETIOLOGIA - O diagnóstico diferencial de palpitações é extensa (tabela 1), e a etiologia varia dependendo da população estudada. Em um estudo de 190 pacientes com queixa de palpitações a um centro médico universitário, uma etiologia foi determinada em 84%. A causa foi cardíaca em 43%, 31% psiquiátrica e outras (por exemplo, induzido por medicação, tirotoxicose, cafeína, cocaína, anfetamina, anemia, mastocitose) em 10%. A etiologia cardíaca foi mais comum em pacientes no serviço de emergência do que na clínica médica (47 versus 21%), enquanto etiologias psiquiátricas foram mais comuns na clínica médica (45 versus 27%). Etiologias cardíacas também podem ser mais comum entre os pacientes que se apresentam ao especialista.



Transtornos psiquiátricos - Palpitações podem ser uma característica de vários transtornos psiquiátricos, incluindo ataques de pânico, transtorno de ansiedade generalizada, somatização e depressão.

Palpitações são um sintoma e podem ocorrer na ausência de uma arritmia cardíaca. Quando palpitações estão associados com a ansiedade ou pânico, é frequentemente difícil para o paciente discernir se a sensação de ansiedade ou pânico precederam ou resultaram das palpitações.

Doenças psiquiátricas podem coexistir em pacientes com palpitações de outra etiologia. Como exemplo, no estudo universitário citado acima, em 24 dos 190 pacientes (13%) designou-se mais do que uma etiologia para as palpitações, 21 coexistindo com doenças psiquiátricas. Um segundo relatório de 107 pacientes com taquicardia supraventricular reentrante eletrofisiologicamente documentada, descobriu-se que havia uma duração média de 3,3 anos entre a apresentação inicial a um médico e o diagnóstico definitivo de taquicardia supraventricular; 67% dos pacientes também preenchiam os critérios para transtorno de pânico. Taquicardia supraventricular não foi diagnosticada durante uma avaliação médica inicial em 59 pacientes e 32 receberam um diagnóstico de pânico, estresse ou ansiedade, 65% destes indivíduos eram mulheres. Estas descobertas sugerem que, embora haja evidências de que os transtornos psiquiátricos são uma causa comum de palpitações, esse diagnóstico não deve ser aceito até que etiologias arrítmicas sejam excluídas.

Cardiopatias - Como mencionado, doenças cardíacas são uma causa comum de palpitações, e sua eventual presença gera a maior preocupação entre os médicos que avaliaram pacientes com esta queixa. O espectro de etiologias cardíacas abrangem arritmias (virtualmente qualquer nova alteração no ritmo sinusal normal ou uma alteração significativa na taxa de uma arritmia estável, tal como fibrilação atrial, podem causar palpitações), doença cardíaca valvular (por exemplo, insuficiência mitral ou aórtica, prolapso de válvula mitral), a síndrome do marcapasso, cardiomiopatia e mixoma atrial (tabela 1).

A maioria dos pacientes com palpitações que se submetem a monitorização ambulatorial são encontrados ter condição supraventricular benigna ou ectópica ventricular ou um ritmo sinusal normal; ritmo sinusal normal é encontrado em até um terço. Contrações ventriculares e taquicardia ventricular não sustentada também são encontrados em uma proporção substancial de pacientes com palpitações e não são associados com aumento da mortalidade em pacientes com corações estruturalmente normais.

No estudo da universidade já referido, quatro variáveis foram preditores independentes de uma etiologia cardíaca para palpitações:

  • Sexo masculino;


  • Descrição de um batimento cardíaco irregular;


  • Histórico de doença cardíaca;


  • Duração do evento > 5 minutos;


Nenhum dos pacientes com zero preditores tinha uma etiologia cardíaca, em comparação com 26, 48, e 71 por cento dos pacientes com 1, 2, e 3 preditores, respectivamente.

Apesar da prevalência relativamente alta de distúrbios cardíacos, neste estudo, o prognóstico de curto prazo foi excelente; mortalidade durante um ano de acompanhamento foi documentada em apenas três mulheres, todos com idade acima de 70 anos, e nenhuma das mortes foi repentina ou diretamente relacionados com a etiologia original das palpitações. A taxa de acidente vascular cerebral de um ano também foi baixa (1,1 %).

Um segundo estudo relatou resultados similares. Neste estudo de coorte retrospectivo de 109 pacientes com palpitações avaliados em um ambiente de cuidado primário, não houve diferença na morbidade ou mortalidade, em comparação com a idade e sexo em um seguimento médio de 42 meses. Taquicardia ventricular foi responsável por palpitações em apenas quatro pacientes.

Arritmias por excesso de catecolaminas – algumas taquiarritmias supraventriculares e ventriculares sustentadas podem ser provocados por estimulação simpática ou excesso de catecolaminas, como ocorre durante o exercício ou em momentos de estresse. Estudos em que o teste de esforço foi realizado, revelou-se que as batidas supraventricular não sustentadas e as extra-sístoles ventriculares são mais comuns do que as arritmias sustentadas, e a incidência de qualquer arritmia é maior em pacientes com doença cardíaca subjacente.

Por outro lado, a taquicardia ventricular idiopática, especialmente quando surge do ventrículo direito, pode ocorrer durante o exercício em pacientes com corações estruturalmente normais, e essa arritmia mais freqüentemente se apresenta durante a segunda e terceira décadas de vida como palpitações, tonturas ou síncope.

Taquiarritmias supraventriculares, incluindo a fibrilação atrial (FA), pode ser induzido durante o exercício ou ao término do exercício no qual a retirada de catecolaminas é associado com um aumento do tônus vagal. A FA que ocore durante este aumento relativo no tônus vagal é particularmente comum em homens atléticos da terceira a sexta década de vida.

Excesso de catecolaminas, resultando em arritmia, também pode ocorrer durante experiências emocionalmente importantes. Como exemplo, pacientes com a síndrome do QT longo, especialmente o tipo congênita 1 ou 2 (uma anomalia herdada de repolarização do miocárdio), possuem caracteristicamente palpitações durante períodos de exercício vigoroso ou estresse emocional, o qual o mecanismo é muitas vezes uma TV polimórfica conhecida como torsades de pointes.

Taquicardia sinusal inapropriada é uma doença rara que se manifesta como palpitações durante o esforço mínimo ou com o estresse emocional. Esta arritmia é caracterizada por um aumento inapropriado da frequência do nó e é mais freqüente em mulheres jovens, podendo resultar de uma hipersensibilidade a estimulação beta-adrenérgica.

Referência:

UpToDate - Overview of palpitations in adults.

Link:http://www.uptodate.com/contents/overview-of-palpitations-in-adults?source=search_result&search=palpitations&selectedTitle=1~150

Thiago Andrade

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