Diagnóstico diferencial de Tinea Corporis

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Diagnóstico diferencial de Tinea Corporis

Mensagem  Diego Luiz em Seg Jan 07, 2013 2:52 pm

As manifestações clinicas dessa dermatomicose consistem no aparecimento de lesões pruriginosas, com bordas eritematopapulosas, de aspecto anular ou circundado ( em semicírculos), distribuídas na pele glabra. Na criança é comum o relato com animais domésticos e o desenvolvimento de lesões cutâneas pelo Microsporum canis. Já no adulto, o fungo mais comum é o Trichophyton rubrum, que pode se disseminar a partir de uma tinha do pé ou inguinocrural, na maioria das vezes a disseminação ocorre por contiguidade. O uso de corticoide tópico ou sistêmico pode mudar a apresentação clínica da dermatofitose; a lesão pode se tornar menos inflamatória com predomínio da descamação (principalmente por corticoterapia sistêmica) ou evoluir para lesão endurada (granuloma tricofítico, em geral por corticoterapia tópica). Adultos apresentando quadro disseminados sem história de uso prévio de terapia imunossupressora devem ser investigados.

DIAGNÓSTICOS DEFERÊNCIAS: PITIRÍASE ALBA (COMUM EM ATÓPICOS), PITIRÍASE RÓSEA DE GILBERT E HANSENÍASE TUBERCULÓIDE.

PITIRÍASE ALBA: É caracterizada clinicamente por áreas de descamação superficial e fina, em geral circinadas ou ovais, algumas vezes irregulares, não sendo a hiperceratose folicular, às vezes encontrada nesses pacientes, característica exclusiva da PA e sim uma das manifestações menores de atopia cutânea. As bordas daslesões costumam ser bem definidas, principalmente nos pacientes de pele escura, e seu diâmetro varia entre 0,5 e 6cm, podendo apresentar coloração entre o branco marmóreo e o rosa. A face é o local mais acometido (50 a 60% dos casos), mas pode ser encontrada em outras áreas. A maioria das lesões é assintomática, podendo, entretanto, haver prurido ocasional.Estudos recentes sobre a dermatose confirmam a localização freqüente na face, a característica sobretudo hipocrômica das lesões, o tamanho usualmente menor do que 5cm de diâmetro, a piora da doença no verão e a relação com hábitos de higiene e exposição solar. É possível dividir os quadros de pitiríase alba em duas formas diferentes de apresentação clínica:
1. Forma localizada: é a mais comum, acometendo as crianças mais jovens. Localizando-se geralmente na face, as lesões são em número de até cinco, com placas hipocrômicas e levemente descamativas (Figuras 1 e 2). São as que melhor respondem aos tratamentos instituídos.
2. Forma generalizada: tem menor incidência e é própria das crianças mais velhas e dos adultos. Essa apresentação da PA pode ser dividida ainda em duas variantes clínicas: a. forma idiopática - lesões simétricas, circunscritas não descamativas e esbranquiçadas - que tem tendência a acometer as superfícies extensoras dos membros e responde mal às medidas terapêuticas. Relacionada coma dermatite atópica - que tem o prurido como sintoma mais freqüente, compromete as áreas antecubitais e poplíteas e responde bem ao tratamento com corticóide tópico. Além das formas usuais descritas, ainda são encontrados quadros da doença com apresentação pouco comum, como a psoriasiforme e a pigmentante. Os pacientes portadores desta última forma apresentam lesões de zona central azulada e halo hipopigmentado, levemente descamativas e de espessura variada, a maioria na face, e muitas delas com presença de infecção por dermatófito. As alterações histopatológicas na pitiríase alba são inconclusivas. Encontra-se acantose e espongiose de intensidade média, com hiperceratose moderada e paraceratose focais. Há também diminuição do número de melanócitos funcionantes, porém sem evidências de alterações na função dos mesmos.

PITIRÍASE RÓSEA DE GILBERT :A lesão clínica inicial ou precursora é conhecida por medalhão” ou placa mãe.Essa lesão ocorre em 50% a 94% dos casos como placa única, solitária, eritêmato-escamosa, de crescimento centrífugo, de forma arredondada ou ovalada, medindo de dois a 10cm de diâmetro. O centro da lesão tem aparência mais clara, e a borda externa é mais rósea e exibe delicado colarete periférico de escamas finas. A lesão da placa mãe geralmente precede em média sete a 14 dias o aparecimento das lesões secundárias. A placa mãe habitualmente é mais observada na região anterior do tórax, podendo, em ordem decrescente, ocorrer em outros sítios tais como pescoço, dorso, abdômen e raiz dos membros.Prurido é sintoma relativamente comum na pitiríase rósea, mas em regra é de pouca intensidade, embora tenha sido descrito como grave em 25% dos casos.Lesões orais podem ocorrer e comumente lembram aftas. Jacyk et al. encontraram lesões orais em 9% num estudo de 138 pacientes nigerianos com pitiríase rósea. Um estudo em clínica de Cleveland mostrou incidência de 16% de lesões orais dos casos estudados.As palmas podem ser acometidas em 7% dos casos, e as plantas dos pés em 2%.

HANSENÍASE TUBERCULÓIDE: No pólo de resistência, a hanseníase tuberculóide caracteriza a forma clínica de contenção da multiplicação bacilar, dentro do espectro da doença.As lesões cutâneas, com bordas pronunciadas, são únicas ou em pequeno número, e assimetricamente distribuídas pelo tegumento. Apresenta-se, quando mácula, como lesão hipocrômica ou eritematosa, delimitada por micropápulas, e, quando placa, como lesão eritematosa ou acobreada, difusamente infiltrada, ou com tendência central ao aplainamento, e limites externos sempre nítidos e bem definidos. Em geral, as lesões não ultrapassam 10 cm de diâmetro, e os danos em ramos neurais se acentuam rapidamente, resultando em alterações tanto sensitivas quanto autonômicas, que evoluem para hipoestesia e anestesia, em pele de superfície seca, hipoidrótica, com diminuição ou ausência de pêlos. Além da pele, o envolvimento de troncos nervosos ocorre em pequeno número, usualmente, próximo às lesões cutâneas.Os nervos preferencialmente acometidos são o cubital, mediano, radial, peroneiro comum, tibial posterior, auricular e supraorbitário. Neste grupo clínico, podemos encontrar somente comprometimento neural, sem lesões cutâneas, denominando-se hanseníase tuberculóide neural pura.Na forma tuberculóide, ao ser avaliada a resposta imune ao M. leprae, através da intradermorreação de Mitsuda, observa-se uma reação fortemente positiva, sempre maior que 5 mm, atingido até 8 a 15 mm de diâmetro, freqüentemente com ulceração central.A baciloscopia, via de regra, é negativa; em alguns casos, encontram-se raros bacilos na histopatologia de cortes de pele, observando-se infiltração de células epitelióides, gigantócitos circundados por linfócitos, na periferia, constituindo granuloma bem definido, que invade a derme e, por vezes, a epiderme, além de com prometer filetes nervosos, e anexos cutâneos, como glândulas sudoríparas e aparelho pilossebáceo.

Referências: FUNDAMENTOS DE DERMATOLOGIA – RAMOS E SILVA – CASTRO.EDITORA ATHENEU, 2009.

Diego Luiz

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