TRATAMENTO DA DPOC

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TRATAMENTO DA DPOC

Mensagem  Renato de Oliveira em Dom Jan 06, 2013 12:14 pm

Orientações terapêuticas de
acordo com os estágios da DPOC:







TERAPÊUTICA:

1. BRONCODILATADORES:
Os broncodilatadores são a base do tratamento sintomático das doenças
pulmonares obstrutivas. A via de administração preferencial é a inalatória,
pela ação direta nas vias aéreas e menor incidência de efeitos colaterais.
β2-AGONISTAS: São broncodilatadores potentes e seguros que atuam abrindo os
canais de potássio e aumentando o AMP cíclico.
Os β2-agonistas de longa duração, formoterol e salmeterol, quando
comparados aos β2-agonistas de curta ação, fenoterol, salbutamol e
terbutalino
e ao anticolinérgico brometo de ipratrópio, são mais eficazes,
resultando em redução da dispnéia e melhora funcional mais acentuada e mais
duradoura. O único β2-agonista de ação por 24 horas é o bambuterol, que, no
entanto, não apresenta número suficiente de registros na literatura que apoiem
o seu uso sistemático na DPOC.

2. ANTICOLINÉRGICOS:
O brometo de ipratrópio é um antagonista inespecífico dos receptores
muscarínicos.
Em pacientes com glaucoma deve-se tomar o cuidado de não permitir contato
direto da névoa de aerossol com os olhos.
O pico de ação do ipratrópio varia de 30 a 90 minutos e a duração de seu efeito
varia entre 4 e 6 horas.
O brometo de tiotrópio é um anticolinérgico de longa duração, mais eficaz que o
ipratrópio, com seletividade farmacocinética para os receptores muscarínicos M1
e M3, permitindo a sua utilização em dose única diária.
É um fármaco mais seguro, pois sendo sua única apresentação em pó, leva a menor
risco de contato direto com os olhos, diminuindo a possibilidade do
aparecimento de glaucoma.
Em acréscimo, o número de efeitos colaterais é pequeno, sendo seu efeito
colateral mais frequente a boca seca, em 16% dos indivíduos que utilizam a
medicação. O brometo de tiotrópio reduz o número de exacerbações e hospitalizações
e melhora a qualidade de vida relacionada ao estado de saúde, comparado com
placebo e ipratrópio.

3. XANTINAS:
As xantinas continuam sendo usadas em larga escala, apesar de seu efeito
broncodilatador ser inferior ao das demais drogas e de causarem grande
número de efeitos adversos
. Em revisão sobre este tema, o Grupo Cochrane
não demonstrou que este fármaco tenha uma evidente ação broncodilatadora em
pacientes com DPOC.
A bamifilina é uma xantina de ação de 12 horas e tem a
vantagem de provocar
menos efeitos adversos do que a teofilina. São necessários mais estudos para
definir seu papel no tratamento da DPOC.

4. CORTICÓIDE INALATÓRIO:
Em duas recentes metanálises sobre os benefícios do uso de corticóide inalatório
em DPOC, observou-se a ocorrência de diminuição no número de exacerbações,
porém sem alteração na taxa de mortalidade
e com maior índice de efeitos
colaterais do que com o placebo; foi também observado que o corticóide
inalatório poderia levar o VEF1 a ter um declínio de 9,9 ml/ano menor do que o
placebo. A análise crítica destas duas metanálises mostra que os trabalhos
avaliados apresentam problemas: comparação de amostras com tamanhos, gravidades
e medicamentos diferentes e tempos de uso variáveis. As Diretrizes da ATS/ERS
2004 recomendam o seu uso para pacientes com VEF1 <50% e que tenham
tido uma exacerbação no ano anterior e que necessitou do uso de antibiótico ou
corticóide oral. O documento GOLD recomenda o seu uso quando o paciente teve
duas exacerbações no ano anterior que necessitaram de antibiótico ou corticóide
oral.


5. CORTICÓIDE INALATÓRIO ASSOCIADO A BETA-AGONISTA DE AÇÃO PROLONGADA:
Três trabalhos publicados em 2003 estudando corticóides inalatórios e beta-agonistas
de ação prolongada, fluticasona+salmeterol e budesonida+ formoterol, sugerem
que esta associação de drogas pode reduzir a mortalidade, reduzir as
exacerbações e melhorar a qualidade de vida em portadores de DPOC.

6. CORTICÓIDE SISTÊMICO:
Na fase estável dos pacientes portadores de DPOC não há indicação do uso de
corticóides sistêmicos
de manutenção (oral ou injetável) devido não
ocorrer melhora da função pulmonar, além de levar a efeitos sistêmicos
indesejáveis. O corticóide sistêmico está indicado nas exacerbações infecciosas
e não infecciosas, pois já foi demonstrado que o seu uso por 14 dias reduz
os sintomas e melhora o VEF1 e a PaO2 em menor tempo.


7. OXIGENOTERAPIA:
Indicações gerais de oxigenoterapia: A oxigenoterapia tem demonstrado ser, de
forma inequívoca, o principal tratamento para melhorar a sobrevida de pacientes
hipoxêmicos portadores de DPOC, tendo como objetivo a manutenção da saturação
arterial da oxiemoglobina acima de 90% (SaO2 ≥ 90%), documentada na gasometria
arterial.
Constituem indicação para a prescrição de oxigenoterapia prolongada domiciliar
a baixos fluxos os seguintes achados laboratoriais e de exame físico:
PaO2 ≤55 mmHg ou saturação ≤88% em
repouso;
PaO2 entre 56 e 59 mmHg com evidências
de cor pulmonale ou policitemia.
Embora a avaliação oximétrica seja um guia eficaz para a triagem de candidatos
à oxigenoterapia, é necessária a realização da gasometria arterial, pois ela
permite uma avaliação mais precisa das trocas gasosas, com documentação da PaO2
e da condição ventilatória do paciente pela avaliação da PaCO2. Os fluxos de
oxigênio devem ser titulados utilizando-se o oxímetro de pulso durante
repouso, exercício e sono, até obter-se a saturação de pulso da oxiemoglobina
maior ou igual a 90% (SpO2 ≥ 90%). O período de oxigenoterapia domiciliar deve
incluir às 12 horas noturnas, pois a hipoxemia durante a vigília se acentua
durante o sono em razão da irregularidade respiratória noturna fisiológica. Não
se demonstrou ainda que pacientes com hipoxemia apenas noturna tenham
benefícios com uso de oxigênio noturno em relação àqueles com igual
condição que não o recebam, mas já existem evidências de aumento de pressão
na artéria pulmonar durante o dia em pacientes com dessaturação de
oxiemoglobina durante o sono. Recomenda-se que à prescrição de oxigênio
utilizada durante
o dia em repouso adicione-se mais 1L/min durante a noite. O ideal é
determinar individualmente a dose suplementar adequada do oxigênio noturno
com oximetria contínua durante o sono. Recomenda-se o aumento do fluxo de O2
aos esforços em pacientes que já o utilizam em repouso e a sua
prescrição naqueles que só dessaturam durante as atividades físicas, de acordo
com as necessidades específicas.

Sistemas de oxigenoterapia:

A. OS CILINDROS DE OXIGÊNIO: Sistema que armazena o gás sob pressão.
Este é um método caro e ao preço do gás soma-se a estratégia de transporte do
mesmo até a residência do paciente.
B. OS CONCENTRADORES DE OXIGÊNIO: São máquinas que separam o oxigênio do
nitrogênio do ar ambiente pela ação de uma substância (silicato de alumínio
sintético), concentrando o O2, e fornecendo fluxos de 1 a 5 L/min. São leves
(aproximadamente 10 Kg) e com rodas nas bases, possuem um motor e bateria e precisam
ser conectados à energia elétrica. Apesar do gasto extra com energia elétrica,
ainda assim os concentradores são muito mais baratos que os cilindros de
oxigênio, podendo-se utilizar uma extensão de até 8 metros de comprimento, para
permitir que
o paciente se desloque dentro de casa.
C. O OXIGÊNIO LÍQUIDO: Pode-se armazená-lo em casa numa unidade matriz
com 36 a 40 litros de O2 líquido, mantidos a -70ºC. Cada litro de oxigênio
líquido se transforma em 863 litros de oxigênio na forma gasosa.
D. Oxigênio Portátil: A fonte portátil pode ser um pequeno cilindro de
alumínio com oxigênio gasoso sob pressão ou líquido para permitir que o
paciente se desloque fora do domicílio. O custo vai depender da dose necessária
e individualizada para cada paciente,
e do tempo que ele vai precisar ficar longe de uma fonte estacionária de O2.
E. Umidificação: Não existem evidências científicas que indiquem a
necessidade de umidificação em sistemas que empregam cateteres nasais e fluxos
inferiores a 5L/min, exceto nos casos de seu uso transtraqueal ou em traqueostomias.
Uso de oxigênio em viagens aéreas: A cabine dos aviões mantém pressão interna
equivalente à altitude de 2.400 metros, com quantidade menor de oxigênio
do que em nosso ambiente diário.
Viagens aéreas são seguras para portadores de hipoxemia crônica, desde que
aumentem o fluxo de oxigênio (que utilizam em repouso) de 1 a 2 L/min durante o
vôo. O ideal é manter a PaO2 durante o vôo ≥60 mmHg.

REFERÊNCIAS: (GOLD 2011)

+
http://www.jornaldepneumologia.com.br/pdf/suple_124_40_dpoc_completo_finalimpresso.pdf

(II Consenso Brasileiro sobre Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica - DPOC - 2004)

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FÁRMACOS UTILIZADOS NO TRATAMENTO DA DPOC

Mensagem  Renato de Oliveira em Dom Jan 06, 2013 12:21 pm


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